‘Peaky Blinders’ é baseada em uma história verdadeira; conheça os detalhes
A última sexta-feira (10) foi marcada por fortes emoções para os fãs de Peaky Blinders, a consagrada série da Netflix que retrata a trajetória de uma organização criminosa inglesa no início do século 20. Com o lançamento do episódio final da sexta temporada, o público acompanhou o desfecho de uma das narrativas mais intensas da televisão contemporânea, repleta de tensão política, disputas de poder e dilemas morais.
Produzida originalmente para a BBC Two, no Reino Unido, a série só chegou ao público brasileiro após ser incorporada ao catálogo da Netflix. Esse intervalo aumentou ainda mais a expectativa dos fãs, que aguardavam ansiosamente para descobrir os novos passos de Thomas Shelby e de sua família, além de finalmente entender quem teria traído o protagonista no ápice da história.
A trajetória de sucesso de Peaky Blinders
Da BBC à Netflix
Antes de se tornar um fenômeno global, Peaky Blinders já era um sucesso consolidado na televisão britânica. Exibida inicialmente pela BBC Two, a produção conquistou audiência e crítica ao apostar em uma narrativa densa, personagens complexos e uma estética visual marcante.
Quando a série chegou à Netflix, especialmente no Brasil, ganhou uma nova dimensão cultural. Thomas Shelby ultrapassou a barreira da ficção e se tornou um ícone pop, frequentemente associado ao meme do personagem “frio e calculista”, amplamente difundido nas redes sociais.
O protagonismo de Thomas Shelby
Thomas Shelby é o eixo central da série. Líder da família Shelby e da gangue dos Peaky Blinders, ele é apresentado como um estrategista brilhante, frio nas decisões e profundamente marcado pelos traumas da Primeira Guerra Mundial. Ao longo das temporadas, o personagem evolui de um chefe local de apostas ilegais para uma figura influente nos bastidores políticos da Inglaterra.
A atuação de Cillian Murphy foi decisiva para o sucesso da produção, ao retratar com precisão a dualidade do personagem: ao mesmo tempo implacável e fragilizado, calculista e emocionalmente atormentado.
A sexta e última temporada
Um encerramento marcado por tensão
A sexta temporada representa o ápice emocional de Peaky Blinders. Conflitos internos na família Shelby, ameaças externas cada vez mais perigosas e decisões irreversíveis conduzem a narrativa para um final denso e simbólico.
O público finalmente descobre quem traiu Thomas Shelby, encerrando um arco que reforça temas recorrentes da série, como lealdade, poder, vingança e o preço das escolhas feitas ao longo da vida.
O fim da série, mas não do universo
Apesar de marcar o encerramento da história principal, o criador Steven Knight deixou claro que o universo de Peaky Blinders ainda não chegou ao fim. Em entrevista à revista Variety, ele revelou já ter uma ideia totalmente estruturada para a conclusão da narrativa central, com começo, meio e fim bem definidos.
Segundo Knight, esse desfecho abre espaço para novos ganchos narrativos, que podem originar spin-offs ambientados no mesmo universo, mantendo viva a mitologia criada ao longo das seis temporadas.
A inspiração real por trás de Peaky Blinders
Uma série além da ficção
Embora carregada de elementos ficcionais, Peaky Blinders não nasceu apenas da imaginação. A série se passa em 1919, em uma Birmingham marcada pela pobreza, pela corrupção e pelas cicatrizes deixadas pela Primeira Guerra Mundial. Nesse cenário, surge a gangue dos Peaky Blinders, que de fato existiu.
No entanto, a história real do grupo não foi usada como base direta para a trama. A inspiração veio de uma memória familiar transmitida por gerações.
O relato que deu origem à mitologia
Em entrevista ao History Extra, Steven Knight contou que a ideia da série surgiu a partir de uma história que seu avô contou a seu pai, que depois foi repassada a ele ainda criança.
A imagem descrita era poderosa: homens elegantemente vestidos, usando boinas, armados e reunidos em torno de uma mesa coberta de dinheiro em um bairro pobre de Birmingham. Para Knight, essa cena condensava perfeitamente o contraste entre sofisticação e violência que se tornaria a essência da série.
Quem foram os verdadeiros Peaky Blinders
Uma gangue diferente da retratada na série
Os Peaky Blinders reais eram bastante diferentes da organização criminosa retratada na televisão. Segundo registros históricos, o grupo surgiu ainda na década de 1890, muito antes do período em que a série se inicia.
Quando a trama começa, por volta de 1910, a influência da gangue já estava em declínio, especialmente com o avanço da Primeira Guerra Mundial.
Alcance limitado e estrutura simples
O historiador Carl Chinn explicou que os Peaky Blinders reais não tinham o poder econômico ou a influência política mostrados na série. Tratava-se de gangues locais, formadas principalmente por jovens da classe trabalhadora, com idade entre 12 e 30 anos, que viviam em bairros marcados pela violência urbana.
O significado do nome Peaky Blinders
A origem do termo “Peaky”
O termo “Peaky” está relacionado às boinas usadas pelos integrantes da gangue, que possuíam abas alongadas e pontiagudas. Ao contrário do mito popularizado pela série, não há comprovação histórica de que lâminas de barbear fossem costuradas nos chapéus naquela época.
O sentido de “Blinder”
Já “Blinder” é uma gíria britânica que se refere a alguém que se veste de maneira elegante e respeitável. O nome da gangue, portanto, refletia diretamente a preocupação com a aparência e o estilo dos seus membros.
Vestimenta e comportamento dos integrantes
Um visual padronizado e intimidante
Philip Gooderson, em sua obra The Gangs of Birmingham, descreveu o visual típico de um Peaky Blinder: calças boca de sino, botas com ponteiras de metal, cachecóis coloridos e chapéus pontudos. O cabelo era curto, com exceção de uma mecha frontal penteada sobre a testa.
Esse visual tornava os membros facilmente reconhecíveis pela população, pela polícia e por gangues rivais.
Violência como forma de afirmação
Por serem identificáveis, os Peaky Blinders mantinham uma postura agressiva para impor respeito. Uma carta anônima publicada no Birmingham Daily Mail em 1898 relatava a presença constante dessas gangues pelas ruas da cidade, sempre prontas para intimidar quem cruzasse seu caminho.
Os crimes cometidos pela gangue real
Atividades criminosas mais comuns
Segundo a historiadora Heather Shore, da University of Leeds, os Peaky Blinders estavam envolvidos em brigas de rua, roubos, extorsões, esquemas de proteção, fraude, grilagem de terras, contrabando, sequestros e apostas ilegais.
Durante confrontos, utilizavam cintos com fivelas pesadas, bengalas, barras de ferro, canivetes e até as ponteiras metálicas das botas como armas.
Registros preservados pela história
O Museu Policial de West Midlands, em Birmingham, mantém uma coleção com cerca de seis mil fotografias de integrantes dos Peaky Blinders reais, acompanhadas de fichas criminais e registros oficiais, preservando a memória histórica dessas gangues urbanas.
Conclusão
Peaky Blinders conquistou o público ao unir drama histórico, ficção e inspiração em fatos reais. Embora a série tenha romantizado e ampliado o poder da gangue original, conseguiu retratar com força o ambiente social da Inglaterra do início do século 20.
Com o encerramento da sexta temporada, a história principal chega ao fim, mas o legado da série permanece vivo, seja na cultura pop, no interesse histórico ou na expectativa por novos projetos derivados desse universo tão marcante.

