
S301 completa órbita em 8,7 anos e se torna estrela mais rápida já observada
Uma estrela encontrada nas proximidades do gigantesco buraco negro localizado no centro da Via Láctea acaba de estabelecer novos recordes e pode se transformar em uma das ferramentas mais importantes para estudar a física em condições extremas.
Batizado de S301, o astro viaja a uma velocidade máxima de aproximadamente 25 mil quilômetros por segundo, equivalente a cerca de 90 milhões de quilômetros por hora. Isso representa mais de 8% da velocidade da luz.
A estrela realiza uma órbita extremamente alongada ao redor de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo existente no coração da nossa galáxia, e demora apenas 8,7 anos para completar uma volta.
A descoberta foi apresentada em um estudo publicado em 19 de agosto de 2026 na revista científica Nature. Segundo os pesquisadores, a órbita extremamente próxima de S301 pode permitir algo que os astrônomos perseguem há décadas: medir de forma direta, por meio do movimento de uma estrela, a rotação de Sagitário A*.
Além da velocidade impressionante, S301 chama atenção pela distância mínima que alcança do buraco negro. Em seu ponto de maior aproximação, a estrela entra em uma região onde os efeitos previstos pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein se tornam muito mais intensos.
S301 é a estrela mais rápida conhecida em órbita na Via Láctea
S301 pertence a uma população de estrelas que vive nas proximidades imediatas de Sagitário A*. Esses objetos são conhecidos pelos astrônomos como estrelas S e são utilizados como verdadeiros laboratórios naturais para investigar a gravidade.
No caso de S301, entretanto, os números são especialmente extremos.
Velocidade chega a cerca de 25 mil quilômetros por segundo
Quando alcança o ponto mais próximo do buraco negro, chamado periastro ou periápside, S301 pode chegar a aproximadamente 25 mil a 25,6 mil quilômetros por segundo, dependendo da solução orbital considerada pelos pesquisadores.
Isso corresponde a aproximadamente 8,3% a 8,5% da velocidade da luz.
Transformando o número para uma escala mais familiar, estamos falando de algo próximo de 90 milhões de quilômetros por hora.
Uma viagem impossível de imaginar na Terra
Nessa velocidade, a estrela percorreria a distância média entre a Terra e a Lua, de cerca de 384 mil quilômetros, em aproximadamente 15 segundos.
Ela também conseguiria percorrer uma distância equivalente à circunferência terrestre em menos de dois segundos.
Naturalmente, S301 não está viajando livremente em uma linha reta. Sua velocidade extraordinária é consequência da enorme atração gravitacional exercida pelo buraco negro supermassivo no centro galáctico.
Estrela completa uma órbita em apenas 8,7 anos
Outro recorde estabelecido pela descoberta está no período orbital.
S301 demora aproximadamente 8,7 anos para completar uma volta ao redor de Sagitário A*.
Esse é o menor período orbital confirmado até agora para uma estrela conhecida orbitando o buraco negro central da Via Láctea, segundo o estudo. O recorde anterior pertencia à estrela S55, também conhecida como S0-102, que leva aproximadamente 12 anos para completar sua órbita.
Órbita é extremamente excêntrica
A trajetória de S301 está longe de formar um círculo perfeito.
Sua órbita possui uma excentricidade de aproximadamente 0,98. Quanto mais próximo de 1 é esse valor, mais alongada é a trajetória.
Isso significa que a estrela passa a maior parte do tempo relativamente distante do buraco negro antes de mergulhar rapidamente em direção a ele.
Velocidade aumenta durante a aproximação
À medida que S301 se aproxima de Sagitário A*, sua velocidade cresce drasticamente.
O fenômeno segue princípios orbitais conhecidos: um objeto em uma órbita elíptica se desloca mais rapidamente quando está próximo do corpo de maior massa.
Buraco negro acelera a estrela sem engoli-la
Apesar da enorme velocidade e da pequena distância, S301 não cai diretamente em Sagitário A*.
A combinação entre sua velocidade e a trajetória orbital permite que continue presa gravitacionalmente ao buraco negro, realizando sucessivas passagens ao redor dele.
É semelhante, em uma escala muito mais extrema, à forma como planetas permanecem em órbita ao redor do Sol.
O que é Sagitário A*
Sagitário A*, também conhecido pela abreviação Sgr A*, é o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea.
Ele possui uma massa equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de vezes a massa do Sol, de acordo com os parâmetros utilizados na pesquisa sobre S301.
Buraco negro está a milhares de anos-luz da Terra
Sagitário A* fica a aproximadamente 26 mil anos-luz de distância do Sistema Solar.
Mesmo nessa enorme distância, astrônomos conseguem estudar com grande precisão o movimento das estrelas ao seu redor.
Isso acontece porque instrumentos modernos são capazes de medir mudanças extremamente pequenas na posição desses objetos.
Estrelas revelaram a presença do buraco negro
Buracos negros não emitem luz diretamente.
Por isso, durante muitos anos, uma das principais formas de demonstrar a existência do objeto no centro da Via Láctea foi acompanhar as estrelas que giravam ao seu redor.
Órbitas entregam a massa do objeto invisível
Quando astrônomos observaram estrelas descrevendo trajetórias extremamente rápidas ao redor de uma região aparentemente vazia, ficou evidente que havia uma enorme quantidade de massa concentrada naquele ponto.
Essas medições foram fundamentais para demonstrar que Sagitário A* é um buraco negro supermassivo.
Como S301 foi descoberta
O trabalho que levou à identificação de S301 envolveu anos de observações do centro da Via Láctea.
Desde 2017, pesquisadores realizam campanhas frequentes utilizando o instrumento GRAVITY, instalado no Very Large Telescope Interferometer, conhecido pela sigla VLTI.
O observatório pertence ao Observatório Europeu do Sul e fica no Chile.
Estrela chamou atenção em 2023
Segundo o estudo, S301 foi identificada claramente na primavera de 2023, quando apareceu aproximadamente 15 milissegundos de arco a noroeste de Sagitário A*.
Os pesquisadores perceberam rapidamente que o objeto apresentava um movimento muito rápido e ligeiramente curvado.
A partir das primeiras posições observadas, os cientistas começaram a considerar a possibilidade de que a estrela estivesse em uma órbita extremamente compacta.
Astrônomos procuraram a estrela em imagens antigas
Depois de calcular uma órbita preliminar, a equipe voltou aos dados obtidos em anos anteriores.
Isso permitiu encontrar sinais de S301 em observações realizadas em 2021 e até uma possível detecção em dados de 2017.
Pesquisa reuniu 19 posições da estrela
No total, os pesquisadores utilizaram 19 medições astrométricas distribuídas ao longo de mais de oito anos.
Esses pontos permitiram reconstruir a trajetória da estrela e determinar suas principais características orbitais.
Tecnologia do Very Large Telescope tornou descoberta possível
Observar uma estrela tão próxima de Sagitário A* é um enorme desafio.
O centro da Via Láctea é uma região extremamente populosa, com diversas estrelas aparecendo muito próximas umas das outras quando vistas da Terra.
Além disso, S301 é bastante fraca.
Interferometria oferece enorme precisão
O instrumento GRAVITY combina a luz coletada pelos grandes telescópios que integram o VLTI.
Essa técnica, chamada interferometria, permite atingir uma resolução muito superior à que seria obtida utilizando apenas um telescópio isoladamente.
Foi essa precisão que possibilitou separar objetos extremamente próximos no centro galáctico.
S301 é relativamente pouco brilhante
A equipe estimou magnitude 19,3 na banda K para S301.
Essa baixa luminosidade aparente ajuda a explicar por que um objeto tão interessante permaneceu desconhecido durante tanto tempo.
Novas tecnologias podem revelar outras estrelas
Os próprios pesquisadores apontam que a descoberta pode ser apenas uma amostra de uma população de estrelas pouco luminosas que permanece escondida nas regiões mais internas da Via Láctea.
Instrumentos mais avançados poderão encontrar outros objetos com órbitas igualmente extremas.
S301 pode ter cerca de 1,5 vez a massa do Sol
As características observadas indicam que S301 provavelmente é uma estrela da sequência principal.
Os pesquisadores estimam que ela tenha massa de até aproximadamente 1,5 vez a massa solar.
Seu raio pode ficar entre cerca de 1,4 e 1,6 vez o raio do Sol.
Astro pode pertencer ao tipo espectral F
O brilho observado é compatível com uma estrela aproximadamente do tipo espectral F.
Estrelas desse grupo costumam ser mais quentes e mais luminosas do que o Sol.
A estimativa também explica por que S301 consegue sobreviver à passagem relativamente próxima de Sagitário A*.
Estrela não é destruída pela força de maré
Um objeto muito grande que chegasse suficientemente perto do buraco negro poderia ser deformado ou destruído pelas chamadas forças de maré.
No caso de S301, os cálculos indicam que sua distância mínima ainda é suficiente para impedir uma ruptura estelar.
Sobreviver tão perto é essencial para o estudo
Isso transforma S301 em uma espécie de partícula de teste natural.
Ela consegue entrar profundamente no campo gravitacional do buraco negro, sofrer os efeitos relativísticos e continuar sua órbita.
É exatamente essa combinação que torna a estrela tão valiosa para os físicos.
Estrela pode revelar como Sagitário A* gira
A descoberta mais importante talvez não seja o recorde de velocidade.
S301 pode oferecer aos cientistas uma oportunidade inédita de medir a rotação de Sagitário A* utilizando diretamente a órbita de uma estrela.
Buracos negros também podem girar
Na relatividade geral, um buraco negro é caracterizado principalmente por propriedades como massa e momento angular, relacionado à sua rotação.
A massa de Sagitário A* já foi medida com grande precisão.
Sua rotação, entretanto, continua muito mais difícil de determinar diretamente.
Rotação altera o espaço-tempo
Um buraco negro em rotação não afeta apenas objetos por sua atração gravitacional convencional.
Segundo a relatividade geral, sua rotação também arrasta o próprio espaço-tempo ao redor.
Esse fenômeno é conhecido como arrasto de referenciais.
Efeito recebe o nome de Lense-Thirring
O efeito de Lense-Thirring provoca mudanças graduais na orientação da órbita de um objeto localizado perto de uma massa em rotação.
Para estrelas mais distantes, o efeito é extremamente pequeno.
Como S301 chega muito perto de Sagitário A*, porém, a influência pode se tornar mensurável.
Einstein será colocado novamente à prova
O centro da Via Láctea já serviu para alguns dos testes mais importantes da teoria da relatividade geral.
Uma das estrelas mais estudadas nesse contexto é S2.
Ela leva aproximadamente 16 anos para completar uma volta ao redor de Sagitário A*.
S2 já confirmou efeitos relativísticos
Durante a passagem de S2 pelo ponto mais próximo do buraco negro em 2018, astrônomos observaram efeitos associados ao desvio gravitacional para o vermelho.
Posteriormente, também detectaram a precessão prevista pela geometria de Schwarzschild.
Esses resultados ficaram de acordo com as previsões da relatividade geral.
S301 chega muito mais perto
O diferencial de S301 é sua distância no ponto de máxima aproximação.
Segundo o trabalho publicado na Nature, seu periastro fica aproximadamente dez vezes mais próximo do buraco negro do que o de S2.
Efeitos relativísticos ficam muito mais fortes
A proximidade amplifica os efeitos da gravidade extrema.
Os pesquisadores calculam que a precessão relativística do periastro de S301 seja próxima de dois graus a cada órbita.
Isso é enorme quando comparado às pequenas mudanças normalmente medidas em sistemas astronômicos.
Medição da rotação pode acontecer dentro de uma década
Os pesquisadores realizaram simulações para avaliar quando os dados poderiam se tornar suficientemente precisos para revelar a influência da rotação de Sagitário A*.
Os resultados são animadores.
Observações podem chegar até 2035
Considerando o avanço dos instrumentos atuais e futuros, a equipe estima que existe uma possibilidade realista de detectar diretamente a assinatura da rotação do buraco negro dentro de aproximadamente uma década.
As simulações consideram medições astrométricas do GRAVITY+ e futuras observações espectroscópicas realizadas com o Extremely Large Telescope, o ELT.
Próxima aproximação será especialmente importante
S301 passou pelo ponto de maior aproximação no início de 2023.
Como sua órbita dura aproximadamente 8,7 anos, a próxima passagem deverá ocorrer por volta de 2031.
Esse momento será especialmente importante para os astrônomos.
Velocidade extrema facilitará testes
É durante a aproximação máxima que a estrela acelera até cerca de 25 mil quilômetros por segundo e os efeitos relativísticos se tornam mais fortes.
Uma sequência de medições extremamente precisas nessa fase poderá revelar pequenas alterações em sua trajetória.
Origem de S301 pode envolver uma estrela companheira
A órbita extremamente alongada de S301 também oferece pistas sobre sua história.
Os pesquisadores consideram improvável que uma estrela tenha se formado exatamente na região onde ela se encontra atualmente.
As intensas forças gravitacionais próximas ao buraco negro tornam a formação estelar muito complicada.
Estrela provavelmente nasceu em outro local
Uma possibilidade é que S301 tenha chegado ao centro galáctico depois de se formar em uma região mais distante.
Entretanto, sua enorme excentricidade aponta para um mecanismo específico.
Sistema binário pode ter sido destruído
A principal hipótese é que S301 originalmente fazia parte de um sistema formado por duas estrelas.
O par teria passado perto demais de Sagitário A*.
Quando isso aconteceu, a gravidade do buraco negro teria separado violentamente as duas estrelas.
Uma estrela fica e a outra é lançada
Esse processo é conhecido como mecanismo de Hills.
Em determinados encontros entre um sistema binário e um buraco negro supermassivo, uma das estrelas pode ser capturada enquanto sua companheira recebe energia suficiente para ser arremessada para longe em altíssima velocidade.
A elevada excentricidade de S301 é compatível com esse cenário, segundo os autores da pesquisa.
Companheira de S301 pode ter sido expulsa da Via Láctea
Se a hipótese estiver correta, em algum momento do passado S301 possuía uma estrela companheira.
Durante a aproximação de Sagitário A*, o sistema binário foi destruído.
S301 acabou presa ao buraco negro.
A outra estrela pode ter sido lançada em alta velocidade para longe do centro galáctico.
Essas estrelas são chamadas de hipervelozes
Astrônomos já conhecem estrelas capazes de se deslocar rapidamente pelo halo galáctico e, em alguns casos, escapar definitivamente da Via Láctea.
Uma das explicações para a origem de algumas delas é justamente uma interação com Sagitário A*.
Há até uma possível candidata
Um estudo separado publicado em julho de 2026 levantou a hipótese de que S301 possa ter ligação com a estrela hiperveloz S5-HVS1.
Os autores destacam, porém, que a associação ainda não está comprovada e dependerá de medições mais precisas das propriedades dos dois objetos.
Descoberta poderia reconstruir um evento antigo
Se no futuro essa conexão for confirmada, os astrônomos poderiam identificar as duas partes sobreviventes do mesmo encontro gravitacional: uma estrela capturada pelo buraco negro e outra lançada para fora do centro da galáxia.
Por que S301 não cai dentro do buraco negro
A proximidade entre a estrela e Sagitário A* pode gerar uma pergunta natural: se a gravidade é tão forte, por que S301 simplesmente não é engolida?
A resposta está em sua velocidade e momento orbital.
Cair e orbitar são situações diferentes
Uma estrela em órbita está constantemente sendo atraída pelo buraco negro.
Ao mesmo tempo, possui velocidade lateral suficiente para continuar contornando o objeto em vez de cair diretamente nele.
É o mesmo princípio básico que mantém a Terra ao redor do Sol, embora as condições próximas de Sagitário A* sejam incomparavelmente mais extremas.
Horizonte de eventos ainda está muito mais perto
O ponto de não retorno de um buraco negro é conhecido como horizonte de eventos.
S301 chega extremamente perto em termos astronômicos, mas sua trajetória continua fora dessa região.
Estrela retorna após cada aproximação
Depois de atingir sua velocidade máxima, S301 começa a se afastar novamente, reduzindo gradualmente sua velocidade até alcançar as regiões mais externas da órbita.
Posteriormente, o processo se repete.
Descoberta pode mudar estudos sobre buracos negros
Sagitário A* é especialmente valioso para a astronomia porque é o buraco negro supermassivo mais próximo da Terra.
Sua posição permite acompanhar individualmente estrelas que circulam ao seu redor.
Na maioria das outras galáxias, esse nível de detalhamento é impossível.
S301 funciona como uma sonda natural
Enviar uma espaçonave ao centro da Via Láctea está completamente fora das possibilidades tecnológicas atuais.
Uma estrela como S301, porém, já está exatamente onde os pesquisadores gostariam de realizar experimentos.
Ao acompanhar seu movimento, é possível observar indiretamente o comportamento do espaço-tempo.
Dados podem testar modelos fundamentais
Além de medir a rotação do buraco negro, a órbita poderá ser utilizada para procurar possíveis desvios das previsões da relatividade geral.
Até agora, os dados de S301 são compatíveis com a teoria de Einstein, embora as medições ainda não sejam suficientemente precisas para alguns testes mais avançados.
Física extrema está ao alcance dos telescópios
A importância da descoberta está justamente na combinação entre proximidade, velocidade e período orbital curto.
Em vez de esperar muitas décadas para que uma estrela complete uma volta, pesquisadores poderão acompanhar diferentes etapas da órbita de S301 durante períodos relativamente curtos da carreira científica.
Novos telescópios devem acompanhar a estrela
O estudo de S301 ainda está no começo.
Uma das limitações atuais é que os pesquisadores ainda não conseguiram obter uma medição espectroscópica suficientemente boa da estrela para determinar sua velocidade radial.
Isso significa que ainda existe uma ambiguidade em relação à orientação tridimensional exata de sua órbita.
ELT deverá ajudar a resolver o problema
O Extremely Large Telescope, em construção no Chile, terá instrumentos muito mais sensíveis.
Um deles, chamado MICADO, deverá conseguir observar características espectrais de S301 e determinar sua velocidade na direção da linha de visão.
Esses dados serão combinados com as medições de posição.
Precisão deverá aumentar bastante
Com observações contínuas, os astrônomos poderão reconstruir a trajetória da estrela em três dimensões com uma precisão cada vez maior.
Década de 2030 será decisiva
A passagem próxima prevista para aproximadamente 2031 e as observações realizadas nos anos seguintes poderão transformar S301 em um dos testes mais precisos da gravidade nas proximidades de um buraco negro supermassivo.
Outras estrelas extremas ainda podem estar escondidas
A identificação de S301 também levanta uma possibilidade interessante.
Se uma estrela tão rápida e com uma órbita tão compacta permaneceu desconhecida até recentemente, outras podem estar escondidas na região central da galáxia.
Centro da Via Láctea é extremamente difícil de observar
Poeira interestelar bloqueia grande parte da luz visível proveniente do centro galáctico.
Por isso, muitas observações precisam ser realizadas em comprimentos de onda infravermelhos.
Além disso, a concentração de estrelas é enorme.
Instrumentos estão ficando mais sensíveis
Avanços na interferometria e a chegada de telescópios gigantes permitirão encontrar objetos cada vez menos brilhantes.
Os próprios autores consideram que o acompanhamento contínuo pode revelar uma população de estrelas de baixa massa que orbitam profundamente no campo gravitacional de Sagitário A*.
Uma estrela ainda mais extrema pode existir
S301 detém recordes com base nos objetos conhecidos atualmente.
Nada impede que futuros levantamentos encontrem uma estrela com período ainda menor, velocidade maior ou passagem ainda mais próxima do buraco negro.
S301 abre uma nova janela para estudar a Via Láctea
A estrela recém-identificada reúne características excepcionais.
Ela completa uma volta em apenas 8,7 anos, possui uma órbita extremamente excêntrica e pode alcançar aproximadamente 25 mil quilômetros por segundo quando passa perto de Sagitário A*.
Mais importante do que os recordes, porém, é o que seu movimento poderá revelar.
A enorme gravidade do buraco negro curva sua trajetória e provoca efeitos relativísticos mensuráveis. Caso os instrumentos consigam detectar também a influência da rotação de Sagitário A*, os cientistas terão uma nova forma de investigar diretamente o espaço-tempo nas proximidades de um buraco negro supermassivo.
O acompanhamento continuará durante os próximos anos, com atenção especial para a aproximação prevista para o início da década de 2030.
S301 pode, portanto, deixar de ser apenas a estrela mais rápida conhecida orbitando o centro da Via Láctea para se transformar em um dos melhores laboratórios naturais disponíveis para testar a teoria da relatividade e compreender um dos objetos mais misteriosos da nossa galáxia.



