
Os gigantes de A Odisseia foram criados sem CGI; veja como Christopher Nolan fez isso
Já em cartaz nos cinemas brasileiros, A Odisseia apresenta a visão de Christopher Nolan para um dos maiores clássicos da literatura mundial. Inspirado no poema épico de Homero, o longa acompanha a jornada de Odisseu em direção à ilha de Ítaca após a Guerra de Troia. No caminho, o herói enfrenta monstros, tempestades e diversos desafios impostos pelos deuses.
Entre todas as sequências, o ataque dos Lestrigões chamou a atenção do público. Além da intensidade da cena, um detalhe surpreendeu os espectadores: Nolan praticamente dispensou a computação gráfica para criar os gigantes.
Christopher Nolan apostou em efeitos práticos
Ao contrário de muitas superproduções atuais, Christopher Nolan decidiu utilizar efeitos práticos durante as gravações. O diretor já havia adotado essa estratégia em filmes como Interestelar, Dunkirk e Oppenheimer. Desta vez, ele repetiu a fórmula para aumentar o realismo de A Odisseia.
Segundo Matt Damon, intérprete de Odisseu, a equipe criou os Lestrigões usando técnicas tradicionais de cinema. Dessa forma, o resultado ficou muito mais convincente diante das câmeras.
Dublês criaram a diferença de tamanho
Primeiramente, a produção escalou dublês com mais de dois metros de altura para interpretar os gigantes. Ao mesmo tempo, vários soldados de Odisseu ficaram a cargo de artistas com cerca de 1,50 metro.
Assim, a diferença física já criava uma sensação natural de gigantismo antes mesmo da aplicação dos demais recursos visuais.
Truques de câmera ampliaram a ilusão
Além da diferença de altura, Christopher Nolan utilizou a técnica conhecida como perspectiva forçada. Com esse recurso, a posição da câmera altera a percepção de profundidade e faz determinados personagens parecerem muito maiores.
Consequentemente, os Lestrigões ganharam proporções impressionantes sem depender de imagens geradas por computador.
Matt Damon contou outro detalhe curioso
Durante a entrevista ao programa Happy Sad Confused, Matt Damon revelou que uma dublê o substituiu em algumas cenas.
Como Devyn Dalton possui menor estatura, a diferença entre ela e os intérpretes dos gigantes ficou ainda mais evidente. Posteriormente, a própria dublê publicou vídeos dos bastidores nas redes sociais mostrando essa comparação de altura.
O Ciclope também ganhou uma versão física
Os Lestrigões não representam o único exemplo do compromisso de Nolan com os efeitos práticos.
Na famosa sequência da caverna, a equipe construiu um fantoche de aproximadamente 18 metros de altura para representar o Ciclope. Além disso, o ator Bill Irwin deu voz à criatura, aumentando a sensação de realismo durante as cenas.
Como resultado, o elenco pôde interagir diretamente com o personagem em vez de imaginar sua presença durante as gravações.
A cena de Cila também impressiona
Outra sequência importante mostra o ataque de Cila.
Nesse caso, George Cottle, coordenador de efeitos especiais, desenvolveu um sistema de cabos capaz de içar rapidamente os dublês do convés da embarcação. Enquanto isso, jet-skis produziram os redemoinhos ao redor do barco.
Segundo Matt Damon, a equipe concluiu toda a sequência em apenas uma tarde de trabalho.
O formato IMAX influenciou toda a produção
Christopher Nolan gravou boa parte de A Odisseia utilizando câmeras IMAX de 70 milímetros.
Por esse motivo, o diretor preferiu reduzir ao máximo o uso de computação gráfica. Afinal, esse formato registra uma quantidade enorme de detalhes e torna imperfeições digitais muito mais perceptíveis.
Além disso, cenários reais, iluminação prática e efeitos físicos preservam a qualidade da imagem nas telas gigantes.
Por que Nolan evita CGI sempre que possível?
Christopher Nolan acredita que efeitos práticos proporcionam uma experiência mais imersiva.
Quando atores interagem com cenários e criaturas reais, suas reações se tornam mais naturais. Além disso, a iluminação física produz resultados mais convincentes do que muitos efeitos digitais.
Por isso, A Odisseia mantém uma característica presente em praticamente toda a filmografia do diretor: combinar tecnologia de filmagem de ponta com técnicas clássicas do cinema.
Essa escolha fortalece a identidade visual do longa e ajuda a transformar a adaptação da obra de Homero em uma experiência cinematográfica ainda mais impactante.
