
O padeiro do Titanic que recusou um bote e sobreviveu ao mar congelante
Entre as histórias mais impressionantes do naufrágio do Titanic está a de Charles John Joughin, padeiro-chefe do transatlântico que ajudou passageiros durante a evacuação, recusou um lugar em um bote salva-vidas e, depois que o navio afundou, conseguiu sobreviver nas águas geladas do Atlântico Norte.
O caso de Joughin ficou conhecido por causa de seu próprio depoimento aos investigadores britânicos. Segundo ele, o período em que permaneceu na água teria durado cerca de duas horas. Apesar disso, historiadores consideram que o tempo exato não pode ser confirmado.
Quem era Charles Joughin
Um padeiro experiente
Charles John Joughin nasceu em 3 de agosto de 1878, em Birkenhead, na Inglaterra. Ele começou a trabalhar no mar ainda jovem e construiu uma carreira ligada à produção de alimentos em navios.
Antes de integrar a tripulação do Titanic, Joughin trabalhou no RMS Olympic, navio irmão do famoso transatlântico. Quando embarcou no Titanic, ocupava o cargo de padeiro-chefe e comandava uma equipe responsável pela produção de pães e outros alimentos.
O que aconteceu após a colisão
Joughin ajudou na evacuação
Na noite de 14 de abril de 1912, o Titanic colidiu com um iceberg no Atlântico Norte. Ao perceber a gravidade da situação, Joughin mobilizou integrantes de sua equipe.
Segundo seu depoimento, ele ordenou que pães fossem levados aos conveses onde os passageiros aguardavam a evacuação. A intenção era garantir alimentos para aqueles que seriam colocados nos botes salva-vidas.
Depois, o padeiro deixou a área da cozinha e foi para o convés dos botes.
Ele ajudou mulheres e crianças
Joughin participou da evacuação e esteve associado ao Bote 10. Durante o processo, ajudou passageiros a embarcarem e insistiu para que algumas mulheres deixassem o Titanic.
Naquele momento, muitos passageiros ainda tinham dificuldade para acreditar que o navio realmente pudesse afundar.
Por que Joughin recusou um bote?
Uma decisão arriscada
Mesmo tendo relação com o Bote 10, Joughin decidiu não embarcar. Em seu depoimento, explicou que havia tripulantes suficientes na embarcação e que não considerava necessário ocupar outro espaço.
Assim, o bote partiu sem ele.
A decisão seria extremamente perigosa. O Titanic estava condenado e os botes disponíveis não eram suficientes para transportar todas as pessoas a bordo.
A polêmica envolvendo o álcool
O padeiro estava bêbado?
Depois de ajudar na evacuação, Joughin retornou aos seus aposentos e relatou ter consumido uma pequena quantidade de bebida alcoólica.
O episódio acabou criando a famosa imagem do “padeiro bêbado que sobreviveu ao Titanic”. No entanto, essa versão é uma simplificação do que realmente aconteceu.
Não há evidências suficientes para afirmar que Joughin estivesse embriagado. Além disso, o álcool não protege o organismo contra o frio. Pelo contrário, pode aumentar a perda de calor corporal e favorecer a hipotermia.
Portanto, não é correto afirmar que a bebida foi responsável por sua sobrevivência.
Joughin permaneceu no navio até o fim
Espreguiçadeiras foram lançadas ao mar
Enquanto o naufrágio avançava, Joughin continuou ajudando. Segundo seu testemunho, ele lançou espreguiçadeiras ao mar para que pudessem servir como objetos de flutuação para pessoas que acabassem na água.
Com a inclinação do Titanic aumentando, o padeiro seguiu para a região da popa.
Ele permaneceu ali durante os momentos finais do navio e afirmou posteriormente que conseguiu acompanhar a descida da popa até chegar à água sem sofrer uma queda violenta.
Quanto tempo Joughin ficou na água?
O relato de aproximadamente duas horas
Depois que o Titanic desapareceu sob a superfície, Joughin permaneceu no Atlântico Norte.
Durante o inquérito britânico, afirmou que ficou na água por aproximadamente duas horas antes de encontrar o Bote Desmontável B. Mais tarde, estimou que o período total até ser retirado da água teria sido ainda maior.
O detalhe, porém, precisa ser tratado com cautela. Não existe uma medição precisa que confirme exatamente quanto tempo ele permaneceu exposto à água extremamente fria.
O mais correto é dizer que Joughin relatou ter passado cerca de duas horas na água.
O encontro com o Bote Desmontável B
Uma embarcação virada
Ao amanhecer, Joughin encontrou o Bote Desmontável B, que havia virado durante o processo de lançamento.
Entre os sobreviventes que estavam sobre a embarcação estava o Segundo Oficial Charles Lightoller.
Joughin nadou até o bote e tentou subir, mas havia pouco espaço disponível. Mesmo assim, conseguiu permanecer próximo à embarcação.
Isaac Maynard ajudou o padeiro
O cozinheiro Isaac Maynard reconheceu Joughin e segurou sua mão enquanto ele permanecia na água.
Posteriormente, outro bote chegou à região e conseguiu retirar o padeiro do mar.
Joughin finalmente foi levado para uma embarcação de sobreviventes e, depois, chegou ao RMS Carpathia, responsável pelo resgate das pessoas que escaparam do naufrágio.
O que aconteceu com Joughin depois?
Ele continuou trabalhando no mar
A experiência não fez Joughin abandonar a vida marítima. Após retornar à Inglaterra, ele prestou depoimento durante as investigações sobre o naufrágio.
Em 1920, mudou-se para os Estados Unidos e continuou trabalhando em navios. Ele também atuou em embarcações da American Export Lines.
Joughin permaneceu no setor marítimo por décadas e se aposentou em 1944.
A história chegou ao cinema
Joughin apareceu em Titanic
A história do padeiro também foi retratada no cinema.
Joughin apareceu em A Night to Remember, de 1958, filme que reconstituiu o naufrágio do Titanic.
Em 1997, ele também foi representado em Titanic, dirigido por James Cameron. O personagem foi interpretado pelo ator Liam Tuohy e aparece durante os momentos finais da embarcação.
A representação ajudou a popularizar ainda mais a história do padeiro associado à garrafa de bebida.
Quando Charles Joughin morreu?
Uma vida longa após o desastre
Charles Joughin viveu por mais de quatro décadas depois do naufrágio.
Ele morreu em 9 de dezembro de 1956, aos 78 anos, em Paterson, Nova Jersey, após sofrer uma pneumonia.
Sua trajetória, entretanto, permaneceu ligada ao Titanic.
Por que a história de Joughin é tão impressionante?
Charles Joughin não foi apenas um sobrevivente do Titanic. Durante a tragédia, ele ajudou a distribuir alimentos, participou da evacuação, auxiliou passageiros e recusou um lugar em um bote.
Depois, permaneceu a bordo até os momentos finais e acabou nas águas geladas do Atlântico Norte.
Embora alguns detalhes de seu relato, principalmente o tempo exato em que ficou na água, permaneçam incertos, sua sobrevivência está documentada.
Por isso, a história de Joughin continua entre os relatos mais curiosos do Titanic. Mais do que o mito do “padeiro bêbado”, sua trajetória revela a sequência extraordinária de decisões e circunstâncias que permitiu que um tripulante sobrevivesse a uma das maiores tragédias marítimas da história.



