
El Niño muito forte pode provocar seca na Amazônia e ondas de calor no Brasil
O El Niño de 2026 está ganhando força no Oceano Pacífico e pode chegar ao fim do ano entre os episódios mais intensos já observados desde o início dos registros modernos. Para o Brasil, isso não significa um único tipo de desastre, mas um cenário marcado por extremos opostos: enquanto partes da Amazônia podem enfrentar menos chuva e temperaturas elevadas, o Sul tende a conviver com mais precipitação, tempestades severas e episódios de tempo perigoso.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, estima probabilidade superior a 90% de que o fenômeno alcance intensidade muito forte durante os próximos meses. Para o trimestre entre outubro e dezembro de 2026, existe ainda uma chance de 69% de que o índice utilizado pela agência supere +2,5 °C, o que colocaria o evento acima dos anteriores na série iniciada em 1950.
No Brasil, o fenômeno já está oficialmente configurado desde junho. Órgãos como INPE, INMET, Cemaden, ANA, Censipam e Defesa Civil acompanham sua evolução e alertam principalmente para seca no Norte, calor em grande parte do território e excesso de chuva no Sul.
O cenário também exige atenção para tempestades severas. Meteorologistas alertam que, principalmente durante a primavera, algumas dessas tempestades poderão reunir condições favoráveis para granizo, vendavais e até tornados no Sul.
Isso não significa, porém, que o El Niño produza tornados diretamente — nem que seja possível prever hoje quando ou onde eles ocorrerão.
O El Niño de 2026 já começou?
Sim.
O fenômeno foi confirmado em junho depois que o aquecimento anormal do Pacífico equatorial passou a ocorrer simultaneamente com mudanças características na circulação da atmosfera.
O El Niño faz parte de um sistema conhecido como El Niño-Oscilação Sul, ou ENOS. Durante sua fase quente, uma extensa área do Pacífico tropical apresenta temperaturas acima do normal.
Essa alteração pode parecer distante do Brasil, mas modifica correntes de ar, transporte de umidade e padrões de chuva em várias partes do planeta.
No fim de julho, os órgãos brasileiros responsáveis pelo Painel El Niño 2026-2027 já informavam que os modelos indicavam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.
Desde então, as projeções ficaram ainda mais expressivas em relação à intensidade.
Por que estão falando em “Super El Niño”?
“Super El Niño” é uma expressão bastante utilizada na imprensa e por meteorologistas para descrever eventos excepcionalmente fortes.
Ela não funciona, porém, como uma classificação meteorológica universal e oficial.
Centros como a NOAA trabalham com categorias baseadas na magnitude das anomalias de temperatura do Pacífico e classificam os episódios mais intensos como muito fortes.
Na atualização de 13 de agosto, a NOAA informou que o El Niño estava se fortalecendo e que as temperaturas da superfície do mar já superavam em mais de 2 °C a média em partes do Pacífico equatorial oriental.
O órgão calcula probabilidade superior a 90% de um episódio muito forte durante a primavera do Hemisfério Sul e o verão 2026-2027.
Ainda mais impressionante é a projeção para o trimestre outubro-novembro-dezembro: existe 69% de chance de o índice RONI alcançar pelo menos +2,5 °C.
Segundo a NOAA, caso isso aconteça, o episódio ultrapassaria a intensidade dos eventos anteriores de sua série histórica desde 1950.
Mas um El Niño mais forte significa necessariamente desastres piores?
Não.
Essa é uma diferença importante para evitar interpretações alarmistas.
Um El Niño muito forte aumenta a possibilidade de padrões climáticos tradicionalmente associados ao fenômeno aparecerem com maior intensidade. Ainda assim, a intensidade das águas do Pacífico não determina sozinha o tamanho de uma enchente, seca ou tempestade.
A própria NOAA ressalta que, mesmo diante de um evento excepcionalmente intenso, os impactos característicos do El Niño se tornam mais prováveis, mas não são garantidos.
Outros fatores entram nessa equação.
A temperatura do Oceano Atlântico, frentes frias, disponibilidade de umidade, sistemas de baixa pressão e condições atmosféricas regionais podem alterar bastante o resultado em cada estado.
Além disso, um evento meteorológico extremo só se transforma em desastre quando encontra populações e infraestrutura vulneráveis.
Amazônia pode enfrentar menos chuva
Uma das regiões acompanhadas com maior atenção é a Amazônia.
Historicamente, episódios de El Niño favorecem redução das chuvas principalmente em áreas do norte e do leste da floresta.
A nota técnica divulgada por INPE, INMET, Funceme e Censipam já apontava possibilidade de precipitações abaixo da média, com consequências sobre rios, vegetação e comunidades.
O problema pode formar uma sequência.
Menos chuva reduz a umidade do solo e da vegetação.
Temperaturas elevadas aumentam a evaporação.
A combinação favorece estiagens mais intensas e cria condições mais propícias para propagação de incêndios florestais.
Setembro já começa com calor e pouca chuva em parte do Norte
A previsão mais recente do INMET mostra que alguns desses sinais poderão aparecer já em setembro.
O instituto prevê chuva abaixo da média em grande parte de Roraima, Amazonas e Pará. Ao mesmo tempo, as temperaturas deverão permanecer acima do normal em grande parte da Região Norte.
Em áreas do centro e sudeste do Pará e no extremo oeste do Tocantins, as temperaturas médias podem ficar até 2 °C acima da climatologia de setembro.
No Amazonas e em Roraima, também predominam projeções de calor acima da média.
Isso não significa que toda a Amazônia ficará sem chuva.
A previsão mensal possui diferenças importantes dentro da própria região, com áreas onde os acumulados podem ficar próximos ou até acima da média.
O alerta diz respeito à tendência predominante e, principalmente, ao que pode ocorrer caso o padrão seco continue durante os próximos meses.
Uma seca amazônica pode atingir muito mais do que a floresta
Quando os rios amazônicos baixam de maneira acentuada, os impactos não ficam restritos ao meio ambiente.
Em inúmeras comunidades, os rios funcionam como estradas.
Eles são utilizados para transportar moradores, alimentos, medicamentos, combustível e mercadorias.
Níveis extremamente baixos podem dificultar a navegação e isolar localidades.
INPE e demais órgãos brasileiros também apontam possíveis impactos sobre pesca, abastecimento e atividades econômicas caso a redução de precipitação se intensifique.
Existe ainda o risco relacionado aos incêndios.
Vegetação submetida a calor intenso e longos períodos sem chuva perde umidade, aumentando sua vulnerabilidade quando existe uma fonte de ignição.
O Painel El Niño alerta que temperaturas acima da média durante o segundo semestre podem elevar o risco de incêndios florestais.
Centro-Oeste e Sudeste podem enfrentar ondas de calor
O calor é outro impacto acompanhado de perto.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos do El Niño sobre as chuvas podem variar bastante de uma área para outra.
Para a temperatura, entretanto, existe um sinal mais consistente.
O INPE já havia alertado que episódios de El Niño favorecem temperaturas superiores à climatologia em várias regiões brasileiras e podem contribuir para períodos de calor intenso.
A previsão do INMET para setembro aponta temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Oeste.
Partes de Mato Grosso e Goiás podem apresentar médias até cerca de 1,5 °C superiores ao normal do mês.
No Sudeste, Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro também apresentam previsão de temperaturas superiores à média.
Isso não significa que uma onda de calor permanecerá durante todo o mês.
Ondas de calor são episódios específicos, que dependem da persistência de temperaturas muito elevadas durante vários dias.
O cenário climático, porém, pode tornar esses episódios mais favoráveis.
Calor também pode aumentar risco de incêndios
Temperaturas elevadas aparecem ao lado de outro problema típico do final do período seco brasileiro: umidade muito baixa.
Quando chuva escassa, vegetação seca, baixa umidade e calor intenso coincidem, incêndios podem se espalhar com maior facilidade.
Por isso, os boletins federais sobre o El Niño destacam simultaneamente dois riscos para o segundo semestre: ondas de calor e incêndios florestais.
O impacto também chega às cidades.
Períodos de calor extremo aumentam a demanda por eletricidade, especialmente pelo uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.
Também podem elevar o risco de desidratação, insolação e agravamento de problemas cardiovasculares e respiratórios, sobretudo entre idosos, crianças e pessoas com doenças preexistentes.
No Sul, o problema pode ser justamente o contrário: chuva demais
Se parte do Norte pode enfrentar deficiência de chuva, a tendência histórica do El Niño no Sul é praticamente oposta.
O fenômeno costuma favorecer precipitações acima da média em Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Essa influência já apareceu em 2026.
Segundo o INMET, durante julho os volumes registrados em localidades do Sul chegaram a ficar entre 30% e 90% acima da média do mês, dependendo da área.
A expectativa é que o padrão continue influenciando a região à medida que o El Niño se fortalece.
Para setembro, o INMET prevê chuva acima da média principalmente em grande parte do Rio Grande do Sul.
Em escala sazonal, os boletins federais continuam indicando maior probabilidade de precipitações superiores ao normal em áreas da Região Sul.
Por que o El Niño faz chover mais no Sul?
O aquecimento do Pacífico altera a circulação atmosférica de grande escala.
Uma das consequências pode ser o fortalecimento de mecanismos que transportam umidade das regiões tropicais em direção ao Sul do continente.
Entre eles estão os chamados jatos de baixos níveis.
São correntes relativamente intensas de vento localizadas nas camadas inferiores da atmosfera e capazes de transportar grandes quantidades de vapor d’água.
O INMET explica que, durante episódios de El Niño, esse transporte pode favorecer maior disponibilidade de umidade sobre a Região Sul.
Quando essa umidade encontra frentes frias, sistemas de baixa pressão e uma atmosfera instável, pode ocorrer chuva intensa.
Dependendo das condições, também surgem tempestades capazes de produzir granizo e rajadas fortes de vento.
E onde entram os tornados?
Esse é um dos pontos que mais chama atenção nas previsões sobre os próximos meses.
Meteorologistas da MetSul avaliam que um El Niño excepcionalmente intenso pode contribuir para mais ondas de tempestades severas no Sul durante a primavera e o verão.
Algumas dessas tempestades podem encontrar condições necessárias para produzir tornados.
Mas a relação precisa ser explicada corretamente.
O El Niño não causa um tornado diretamente.
O fenômeno modifica o ambiente atmosférico em grande escala.
Dentro desse ambiente, determinados episódios podem reunir ingredientes como:
- ar quente e úmido;
- grande instabilidade atmosférica;
- chegada de ar mais frio;
- intenso transporte de umidade;
- fortes mudanças na direção e velocidade do vento conforme aumenta a altitude.
Quando esses elementos aparecem na combinação adequada, tempestades severas e supercélulas podem se desenvolver.
Algumas supercélulas são capazes de produzir tornados.
Não existe uma “previsão de tornados para os próximos meses”
É justamente aí que a informação precisa ser tratada com cautela.
Meteorologistas conseguem identificar que uma estação poderá apresentar ambiente mais propício à ocorrência de tempestades severas.
Não é possível afirmar meses antes que um determinado município será atingido por um tornado.
A meteorologista Estael Sias, da MetSul, destaca que o El Niño pode favorecer combinações de calor, umidade, instabilidade e vento, mas cada onda de tempestades terá características próprias. Algumas produzirão apenas chuva, outras granizo ou vendavais e apenas uma parcela poderá gerar condições tornádicas.
A confirmação de um risco elevado de tornado normalmente exige previsão meteorológica de curto prazo, análise de radares, satélites e condições atmosféricas próximas ao momento da tempestade.
Portanto, dizer que há maior risco de ambientes favoráveis a tornados é diferente de prever uma temporada com determinado número de tornados.
Sul da América do Sul já é uma região propícia a tempestades severas
O risco não surge do nada.
O centro-sul da América do Sul está entre as regiões do planeta conhecidas pela ocorrência de tempestades convectivas extremamente intensas.
Pesquisas publicadas na literatura científica mostram que áreas da Argentina, Paraguai, Uruguai e Sul do Brasil apresentam ambientes favoráveis a granizo, ventos severos e tornados.
A geografia ajuda.
Ar quente e úmido transportado da Amazônia e do interior do continente frequentemente encontra sistemas frios avançando pelo Cone Sul.
A Cordilheira dos Andes também influencia o transporte e a organização dos ventos na região.
O resultado pode ser uma atmosfera altamente energética.
O El Niño pode reforçar alguns dos padrões que favorecem a passagem repetida de sistemas de tempestades.
O que diferencia um temporal de um tornado?
Nem toda tempestade intensa possui um tornado.
Um temporal comum pode trazer chuva forte, granizo, raios e rajadas de vento capazes de provocar danos significativos.
O tornado é um fenômeno mais específico.
Ele corresponde a uma coluna de ar em rotação intensa que se estende de uma tempestade até o solo.
Alguns se formam dentro de tempestades conhecidas como supercélulas, que possuem uma corrente ascendente rotativa chamada mesociclone.
O Sul brasileiro possui casos bem documentados.
Um estudo sobre o tornado que atingiu Xanxerê, em Santa Catarina, em abril de 2015 mostrou que o fenômeno estava ligado a uma supercélula formada em ambiente quente, úmido e instável. O evento provocou mortes, dezenas de feridos e grande destruição.
O Nordeste também precisa acompanhar o fenômeno
O El Niño costuma favorecer redução da precipitação em partes do Norte e Nordeste, embora a resposta nordestina dependa fortemente também das condições do Atlântico tropical.
Por isso, não é correto afirmar que todo El Niño necessariamente produzirá uma grande seca no Nordeste.
Ainda assim, os modelos indicam áreas de atenção.
Para setembro, o INMET prevê chuva abaixo da média principalmente em setores da faixa leste nordestina, enquanto as temperaturas devem permanecer superiores ao normal em grande parte da região.
Nos meses seguintes, se o padrão associado ao El Niño persistir, algumas áreas poderão enfrentar aumento da pressão sobre reservatórios, agricultura de sequeiro e abastecimento.
Agricultura pode sentir efeitos diferentes em cada estado
O impacto do El Niño no campo não é necessariamente negativo para todas as culturas.
No Sul, mais chuva pode favorecer determinadas lavouras de inverno quando a precipitação ocorre de maneira regular.
O problema aparece quando há excesso.
Umidade elevada pode dificultar colheitas, impedir máquinas de entrar no campo e aumentar a ocorrência de doenças fúngicas.
O boletim do Painel El Niño aponta justamente essa combinação de benefícios e riscos para culturas do Sul.
No Norte e Nordeste, a situação pode se inverter.
Pouca chuva e temperaturas elevadas aumentam a evaporação e reduzem a quantidade de água disponível no solo.
A previsão do INMET para setembro já indica risco de maior déficit hídrico para algumas lavouras na Região Norte.
O preço dos alimentos pode aumentar?
É possível, mas não é uma consequência automática.
Produtos agrícolas respondem de maneira diferente ao clima.
Uma quebra de safra provocada por seca pode reduzir a oferta de determinado alimento e pressionar preços.
Chuva excessiva também pode prejudicar colheita, transporte e qualidade de produtos.
Por outro lado, uma região pode sofrer perdas enquanto outra registra produtividade elevada.
Além do clima, preços são influenciados por câmbio, exportações, custos de produção, estoques e demanda.
Por isso, o El Niño é um fator de risco para a inflação de alimentos, e não uma garantia de aumento generalizado dos preços.
O que aconteceu nos El Niños anteriores?
Alguns dos episódios mais fortes da história recente ocorreram em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
Mais recentemente, o El Niño de 2023-2024 também coincidiu com extremos importantes no Brasil.
A Amazônia passou por uma seca histórica em 2023, enquanto o Sul enfrentou sucessivas ondas de chuva intensa.
Em 2024, o Rio Grande do Sul sofreu as enchentes que se transformaram em um dos maiores desastres climáticos da história do estado.
Estudos posteriores apontaram que uma combinação envolvendo El Niño e intenso transporte de umidade contribuiu para o episódio de precipitação excepcional de 2024.
Isso não significa que 2026 repetirá exatamente 2023 ou 2024.
Nenhum El Niño é idêntico ao anterior.
Por que este episódio preocupa tanto?
Há três elementos importantes acontecendo simultaneamente.
O primeiro é a velocidade com que o Pacífico se aqueceu.
O segundo é a concordância dos modelos de que o fenômeno deverá permanecer ativo até 2027.
O terceiro é sua possível intensidade.
O conjunto de modelos do IRI divulgado em agosto mostrou que praticamente todos projetavam anomalias acima de +2 °C durante parte do segundo semestre. No trimestre outubro-novembro-dezembro, 25 dos 26 modelos avaliados colocavam o episódio na categoria muito forte.
A NOAA, por sua vez, calcula chance superior a 90% de um evento muito forte.
São projeções excepcionalmente consistentes.
Quando o El Niño deve atingir o pico?
As projeções atuais concentram a maior intensidade no final de 2026.
A NOAA destaca especialmente o trimestre entre outubro e dezembro.
Esse é também o período em que a agência calcula os 69% de probabilidade de um episódio histórico em sua métrica RONI.
Isso coincide com a primavera brasileira e o início do verão.
No Sul, a primavera já é naturalmente uma época favorável a tempestades severas.
No centro do país, é também o período em que as temperaturas podem alcançar níveis muito elevados antes da regularização das chuvas da estação úmida.
Por isso, setembro funciona como o começo de uma janela de maior atenção.
Quanto tempo o El Niño vai durar?
As previsões atuais indicam persistência pelo menos até o início de 2027.
A projeção oficial da NOAA divulgada em agosto atribuía 100% de probabilidade de manutenção do El Niño nos trimestres sucessivos até janeiro-fevereiro-março de 2027.
Para fevereiro-março-abril, a probabilidade ainda era de 97%.
O INMET também informa que o fenômeno deverá durar pelo menos até março de 2027.
Isso não significa que ele permanecerá o tempo inteiro com a mesma intensidade.
Normalmente, um El Niño atinge um pico e começa depois um processo gradual de enfraquecimento.
O que fazer diante das previsões?
Para a população, a principal recomendação não é tentar antecipar exatamente qual desastre ocorrerá.
O mais útil é acompanhar previsões e alertas de curto prazo emitidos por órgãos oficiais.
INPE, INMET, Cemaden e Defesa Civil recomendam atenção contínua às condições meteorológicas e hidrológicas à medida que o fenômeno evolui.
Moradores de regiões sujeitas a inundações e deslizamentos devem conhecer rotas de saída e pontos seguros.
Durante alertas de tempestade, é importante evitar áreas abertas, estruturas frágeis, árvores e locais sujeitos a alagamento.
No Norte e em outras regiões sob seca e calor, atenção deve se voltar também à hidratação, economia de água e risco de incêndios.
O que ainda pode mudar
Uma previsão climática de vários meses trabalha com probabilidades.
Ela consegue mostrar que determinado padrão está mais ou menos favorecido.
Não consegue dizer quanto choverá em uma rua específica daqui a três meses.
Também não consegue determinar antecipadamente onde ocorrerá um tornado ou exatamente quantas ondas de calor atingirão determinado estado.
O próprio desempenho do El Niño pode ser alterado pela interação com outros oceanos e sistemas atmosféricos.
Por isso, os boletins continuarão sendo atualizados.
A próxima discussão mensal oficial sobre o El Niño da NOAA está prevista para 10 de setembro de 2026.
Brasil entra nos meses decisivos do El Niño
O cenário mudou bastante desde o início de 2026, quando ainda havia grande incerteza sobre a formação do fenômeno.
Agora, o El Niño está confirmado, continua se fortalecendo e possui elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte.
Para o Brasil, isso coloca diferentes regiões diante de problemas quase opostos.
A Amazônia e partes do Norte podem sofrer com menor precipitação, rios baixos, calor e incêndios.
Centro-Oeste e Sudeste entram em uma temporada de atenção para temperaturas elevadas e possíveis ondas de calor.
No Sul, o problema tende a ser o excesso de água e a repetição de episódios de tempestade, com risco de enchentes, granizo, vendavais e, em situações atmosféricas específicas, tornados.
O ponto mais importante é que nenhuma dessas consequências pode ser tratada hoje como certeza para uma cidade específica.
O que a ciência permite afirmar é que o ambiente climático dos próximos meses será particularmente favorável a extremos — e que acompanhar os alertas à medida que cada sistema se aproxima será muito mais importante do que tentar prever agora o dia exato em que eles acontecerão.
Perguntas frequentes
O Super El Niño 2026 já começou?
O El Niño foi oficialmente confirmado em junho de 2026. O fenômeno continua se intensificando e deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
O El Niño de 2026 será o mais forte da história?
Ainda não é possível afirmar. A NOAA calcula 69% de probabilidade de que, entre outubro e dezembro, o índice utilizado pela agência supere os episódios anteriores de sua série iniciada em 1950.
O que significa Super El Niño?
É um termo informal usado para episódios excepcionalmente intensos. A classificação utilizada por centros meteorológicos como a NOAA é “El Niño muito forte”.
Quais regiões do Brasil serão mais afetadas?
Os padrões mais prováveis incluem chuva acima da média no Sul, redução de precipitação em partes do Norte e Nordeste e temperaturas elevadas em grande parte do território. Os efeitos podem variar dentro de cada região.
O El Niño pode provocar seca na Amazônia?
O fenômeno favorece redução das chuvas em partes da Amazônia, especialmente no norte e leste da região. Caso esse padrão persista, pode contribuir para níveis menores dos rios, seca e aumento do risco de incêndios.
O El Niño pode provocar tornados no Brasil?
O El Niño não causa tornados diretamente. Ele pode modificar a circulação atmosférica e favorecer ambientes propícios a tempestades severas. Algumas dessas tempestades, especialmente no Sul, podem produzir tornados quando outros ingredientes meteorológicos estão presentes.
É possível saber agora onde haverá tornados?
Não. Uma previsão climática sazonal não consegue indicar com meses de antecedência onde um tornado ocorrerá. Esse tipo de risco é avaliado em escalas muito mais curtas conforme cada tempestade se aproxima.
Quando deve ocorrer o pico do El Niño?
Os modelos indicam que a maior intensidade deve ocorrer no último trimestre de 2026, principalmente entre outubro e dezembro.
O fenômeno vai durar até quando?
As projeções atuais indicam que o El Niño deverá permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, enfraquecendo posteriormente.
