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Como surgiu a fake news de que Lionel Messi é autista? Entenda a origem do boato e o que se sabe sobre o caso

Lionel Messi construiu uma carreira que o colocou entre os maiores jogadores da história do futebol. Ao longo de mais de duas décadas nos gramados, o argentino conquistou títulos importantes, quebrou recordes e se tornou referência para milhões de fãs em todo o mundo. No entanto, sua popularidade também fez com que seu nome fosse associado a diversas informações falsas, incluindo um boato que circula na internet há mais de dez anos.

A história afirma que Messi teria sido diagnosticado com Síndrome de Asperger ainda na infância, condição que atualmente integra o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Apesar de aparecer com frequência em redes sociais, vídeos e até reportagens antigas, essa informação nunca foi confirmada por documentos médicos, familiares ou pelo próprio jogador.

Além disso, especialistas apontam que a narrativa surgiu sem qualquer comprovação científica e ganhou força graças ao compartilhamento contínuo nas redes sociais. O caso se transformou em um dos exemplos mais conhecidos de desinformação envolvendo uma personalidade do esporte.

Como nasceu o boato sobre Lionel Messi

A origem da fake news remonta a 2013. Naquele ano, um jornalista brasileiro publicou um artigo afirmando que Messi teria recebido um diagnóstico de Síndrome de Asperger quando era criança. O texto relacionava a personalidade reservada do atleta, sua timidez e a forma concentrada como atuava dentro de campo a características frequentemente associadas ao espectro autista.

Entretanto, o autor não apresentou laudos médicos, entrevistas com profissionais de saúde nem documentos que comprovassem a afirmação. Em vez disso, a publicação utilizava interpretações sobre o comportamento do jogador para sustentar a hipótese.

Mesmo sem evidências, milhares de pessoas compartilharam o conteúdo. Pouco depois, sites, blogs e perfis em redes sociais passaram a reproduzir a mesma informação como se ela fosse verdadeira. Consequentemente, o boato atravessou fronteiras e passou a circular em diversos idiomas.

Ainda hoje, muitos usuários encontram essas publicações e acreditam que elas descrevem um fato confirmado, quando, na realidade, isso nunca aconteceu.

Família e médico negaram a informação

Com a repercussão do caso, pessoas próximas ao jogador decidiram esclarecer a situação.

O pai de Lionel Messi, Jorge Messi, afirmou publicamente que o filho nunca recebeu um diagnóstico relacionado ao Transtorno do Espectro Autista. Segundo relatos divulgados na época, a família demonstrou preocupação com a rápida disseminação da informação e avaliou medidas para impedir que o boato continuasse sendo apresentado como verdadeiro.

Além da família, o endocrinologista Diego Schwarzstein também desmentiu a história. O médico acompanhou Messi durante parte da infância e foi responsável pelo tratamento da deficiência do hormônio do crescimento, condição que realmente afetou o atleta.

De acordo com Schwarzstein, Lionel Messi jamais recebeu diagnóstico de Asperger ou qualquer outro transtorno do espectro autista. Por isso, o especialista classificou a informação como infundada.

Até hoje, nenhuma biografia autorizada, entrevista oficial ou documento médico contradisse essas declarações.

O problema de saúde que Messi realmente enfrentou

Embora a fake news seja falsa, Messi realmente precisou enfrentar um desafio de saúde durante a infância.

Quando ainda era criança, médicos identificaram que ele apresentava deficiência do hormônio do crescimento. Essa condição poderia comprometer seu desenvolvimento físico caso não fosse tratada adequadamente.

Por esse motivo, o jovem iniciou um tratamento que incluía aplicações periódicas do hormônio. Na época, o custo era elevado para a família. Posteriormente, o Barcelona assumiu as despesas após contratar o atleta para suas categorias de base.

Graças ao acompanhamento médico, Messi conseguiu crescer normalmente e seguir sua trajetória no futebol profissional.

Entretanto, essa condição não possui qualquer relação com o Transtorno do Espectro Autista. Apesar disso, algumas publicações acabaram misturando os dois assuntos, contribuindo para fortalecer a desinformação.

Por que tantas pessoas acreditam nessa história?

A permanência do boato demonstra como a desinformação pode se espalhar rapidamente quando envolve figuras públicas.

Em primeiro lugar, muitas pessoas associam comportamentos discretos a diagnósticos médicos sem considerar que características como timidez, introversão ou concentração fazem parte da personalidade de milhões de indivíduos.

Além disso, a repetição constante da informação cria uma falsa sensação de credibilidade. Quando um mesmo conteúdo aparece em diversos sites e perfis, muitos leitores concluem, de forma equivocada, que ele foi confirmado por fontes confiáveis.

Outro fator importante envolve a dificuldade de identificar conteúdos antigos. Frequentemente, publicações produzidas há mais de uma década voltam a circular como se fossem recentes, levando novos usuários ao erro.

Nesse cenário, especialistas em comunicação alertam que verificar a origem das informações continua sendo uma das maneiras mais eficientes de combater as fake news.

O que caracteriza o Transtorno do Espectro Autista?

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que apresenta diferentes níveis de suporte e características variadas. Por isso, não existe um único perfil capaz de representar todas as pessoas diagnosticadas.

Além disso, profissionais da saúde destacam que apenas uma avaliação clínica especializada pode confirmar o diagnóstico. Ou seja, ninguém pode afirmar que outra pessoa seja autista apenas observando entrevistas, vídeos ou comportamentos públicos.

Também vale lembrar que a antiga Síndrome de Asperger deixou de existir como diagnóstico independente nos principais manuais médicos internacionais. Atualmente, essas características fazem parte do Transtorno do Espectro Autista.

Portanto, atribuir esse diagnóstico a alguém sem confirmação oficial representa não apenas um erro de informação, mas também contribui para reforçar estereótipos sobre o autismo.

Afinal, Lionel Messi é autista?

Com base nas informações disponíveis até hoje, a resposta é não.

Não existe qualquer documento oficial, laudo médico ou declaração do próprio Lionel Messi confirmando que ele faça parte do Transtorno do Espectro Autista.

Pelo contrário, familiares e o médico responsável por acompanhá-lo durante a infância negaram publicamente essa informação. Além disso, a única condição médica conhecida do jogador foi a deficiência do hormônio do crescimento, tratada antes de sua chegada ao Barcelona.

Assim, a história de que Messi seria autista permanece classificada como uma fake news que surgiu sem comprovação e ganhou força apenas por causa do compartilhamento contínuo nas redes sociais. O caso reforça a importância de verificar informações em fontes confiáveis antes de aceitá-las como verdade, especialmente quando envolvem saúde e figuras públicas.